Sim, infelizmente as pessoas morrem.
E é tão difícil saber que o que restou, de repente, ficou na memória.
Nunca mais aquela voz, aquele sorriso, aquela presença.
Perder alguém dói na alma.
Perder alguém dói no corpo.
Existem perdas, entretanto, que não são tão aceitas pela sociedade.
Na verdade até entendem, mas não permitem que as lágrimas corram até ao ponto de se esgotarem.
Entendem que a mãe que perdeu um filho de vinte anos pode sofrer.
Mas não dão o mesmo tempo de luto para a mãe que perdeu o filho que ainda estava no ventre.
As duas amaram.
As duas sofreram.
Mas a ex-gestante 'deve' se levantar rapidamente, seguir com a vida...
Sem o direito de justificar sua ausência por causa da perda.
Existe também as viúvas.
As viúvas de marido morto e as de marido vivo.
A sociedade entende que lidar com seguro de vida, com burocracias, com a dor da morte do amado é sufocante.
Mas não entende que, descobrir de uma hora para outra que o príncipe era um vilão e que a mentira havia se tornado um estilo de vida, dói na pele...
Não permitem que o pai, cujo filho drogado, perca de vez em quando a esperança.
Que o melhor amigo não queira sair da cama porque a amiga foi morar em outro país.
Enfim, não aceitam determinados tipos de luto.
E se sofre com a situação e com os julgamentos.
Eu vivi um luto não aceitável.
Deram-me ombros para chorar com tempo pré-determinado.
Exigiram que eu me levantasse rapidamente e que, voltasse para os palcos da vida somente para provar que comigo seria diferente.
Mas não foi diferente.
Eu sofri.
E eu chorei
Eu precisei do silêncio.
Vivi o que chamam na agricultura de 'pousio'.
Um tempo de repouso que é dado às terras cultiváveis.
Para que o meu solo voltasse a ficar fértil ele precisava descansar.
E assim eu fiz.
Dei as costas às diversas opiniões;
Fiquei durante um tempo no anonimato e assim fui me recuperando.
Vivendo dias de choro, dias de solidão.
Até o momento das lágrimas se secarem naturalmente.
De ver raiar a esperança no meio da tribulação.
E hoje, encorajo os que sofrem a respeitar o seu tipo de luto.
Seja ele qual for.
Aceitável ou não.
Chore até o momento dos seus olhos decidirem que chegou a hora de parar.
Isole-se, se for necessário, porque certamente você fará o caminho de volta.
Respeite o solo do seu coração, deixe a terra respirar.
E prepare-se para colher, depois de regar com muito choro.
Uma nova perspectiva de vida.
A dor nos faz mais altruístas.
O luto acaba.
E a experiência diante dele nos fortifica.
Eu acho que é assim que deve ser feito...
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